Renata Mielli: o jornalista cozinheiro e o fim do diploma
Nesta quarta-feira (18), o Supremo Tribunal Federal acabou com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Sob o argumento da liberdade de expressão, o STF pela segunda vez este ano assume o papel do legislador no campo da comunicação e cria mais um vácuo normativo nesta área. A primeira situação a que me refiro foi o julgamento da inconstitucionalidade da Lei de Imprensa
Por Renata Mielli, no blog Janela sobre a Palavra
Em seu voto, Gilmar Mendes faz a lamentável comparação entre a atividade do jornalista e a do cozinheiro: “Um excelente chef de cozinha certamente poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima o Estado a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, afirma.
Jornalismo não é conversa familiar, não é troca de ideias em volta de uma mesa farta de quitutes. É informação em massa, é mediação de temas delicados, é poder. Nada tem haver com culinária.
O jornalista não segue [ou pelo menos não deveria seguir] receitas para a construção de um texto — apesar de atualmente os cursos de jornalismo ensinarem a receita em boa parte responsável pelo empobrecimento do jornalismo — o que, quem quando, onde, e por que. Não sou ferrenha defensora do diploma de jornalista, mas acho que alguma formação complementar deveria haver para quem se aventurar a seguir essa profissão.
Contudo, sou absolutamente militante da necessidade de haver uma regulamentação para o exercício da profissão e de regras que orientem toda a atividade de comunicação.
Com o fim do diploma e sem outra normas que regulem a atividade profissional, quais os critérios que serão utilizados para a contratação de jornalistas? Sem regras estabelecidas, qualquer um poderá se habilitar à função, a decisão caberá somente ao contratante. Mas, ao contrário do que advoga o STF, ser jornalista requer habilidades e certa formação específica e não apenas conhecimentos e cultura geral. Estes são, sim, importantes, mas também o são noções de teoria de comunicação e ética, por exemplo.
Liberdade de empresa
Outro aspecto a ser analisado é a quem interessa o fim do diploma e a ausência de normas: a população? Não acredito. Em nada a população será beneficiada por esta medida. A exigência do diploma jamais foi contraditória com a liberdade de expressão.
Os jornais, revistas, rádio, televisão e agora a internet nunca deixaram de dar voz a não jornalistas, que o fazem através de artigos, colunas e entrevistas. Cada qual sempre teve seu espaço reservado nos veículos. O jornalista responde pelo conteúdo noticioso, os não jornalistas pelo conteúdo opinativo.
A falta de regulamentação para o exercício do jornalismo interessa sim aos donos dos veículos de comunicação, que poderão exercer maior pressão sobre seus empregados, baixar salários, ampliar a rotatividade de trabalhadores, precarizar as relações de trabalho e ampliar ainda mais o seu poder de intervenção sobre o que é noticiado em seus veículos.
Deixar o exercício da profissão e a atividade de comunicação sem regulamentação é uma arbitrariedade que nada tem haver com a liberdade de expressão, mas tão somente com a liberdade de empresa. Onde não há regras impera a lei do mais forte e conferir ainda mais força aos impérios midiáticos e algo muito temeroso para a democracia.
No momento em que a sociedade se mobiliza para a 1ª Conferência de Comunicação, que acontecerá em dezembro, este passa a ser um dos temas obrigatórios da pauta dos debates.
STF quer privatizar regras da imprensa, aponta Dr. Rosinha
"Ao defender uma autorregulação do setor, Mendes age como um garçom que entrega de bandeja a definição das normas para as empresas. Sua tese constitui uma espécie de privatização das regras da imprensa." Essa foi a reação do deputado Dr. Rosinha (PT-PR) à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de aprovar o relatório do ministro Gilmar Mendes, contrário à exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista.
"A decisão do Supremo favorece os empresários do setor e fragiliza tanto a categoria profissional dos jornalistas quanto a sociedade brasileira, principal interessada numa mídia plural e de qualidade", afirma Dr. Rosinha.
Em seu voto sobre o diploma de jornalismo, Gilmar Mendes voltou a fazer a defesa da "autorregulação" da imprensa, algo que ele já havia defendido na ocasião do julgamento da Lei de Imprensa.
"Parece que, nesse campo da proteção dos direitos e prerrogativas profissionais dos jornalistas, a autoregulação [sic] é a solução mais consentânea com a ordem constitucional e, especificamente, com as liberdades de expressão e de informação", diz trecho do voto.
Novo projeto
O deputado petista informa que irá solicitar estudos da assessoria legislativa da Câmara dos Deputados a respeito da apresentação de um possível projeto relacionado à exigência do diploma de jornalista.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), o único parlamentar a participar do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira (17), classificou como “vergonhosa” a decisão que derrubou a obrigatoriedade do diploma, por 8 votos a 1. Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Pimenta protestou, da tribuna da Câmara, contra a decisão.
Ele criticou a omissão da imprensa brasileira, que em momento algum tratou o julgamento da regulamentação da profissão de jornalista como pauta de seus trabalhos. Para o deputado, o silêncio dos meios de comunicação é a demonstração do que ocorrerá com a imprensa brasileira, a partir da desregulamentação da profissão.
FHC, o farol, sociólogo, entende de sociologia tanto quanto o governador de São Paulo pelo PSDB, José Serra, entende de economia.
*Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores.
*Lula, que não entende de economia, pagou as contas do entreguista FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda dá algum aos ricos...
*Lula, que não entende de educação, pois a oposição e a mídia o classificam como analfabeto e burro, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos e ainda criou o PRÓ-UNI onde filho de pobre vai à universidade... *Lula, que não entende de finanças, nem de contas públicas elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares e não quebrou a previdência como dizia FHC...
*Lula que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo... mas o PIG (Partido da Imprensa Golpista) entende de tudo acha que não...
*Lula que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, Lula não entende de nada, reabilitou o pró-alcool, acreditou no biodisel e levou o país a liderança mundial de combustíveis renováveis...
*Lula que não entende de política , mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8...
*Lula , que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou as favas a ALCA , olhou para os parceiros do sul e especialmente para o vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista, tem transito livre com Chaves, Fidel, Obama, Evo etc....bobo que é cedeu a tudo e a todos...
*Lula que não entende de mulher, nem de preto, colocou o primeiro negro no supremo (desmoralizado por brancos), colocou uma mulher no cargo de primeira ministra e vai fazê-la sua sucessora.
*Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
*Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora do Estado investir e hoje (o PAC) é um amortecedor da crise...
*Lula que não entende de crise, mandou abaixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre...
*Lula que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado como uma das pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual...
Lula não entende nada de nada e mesmo assim é melhor que todos os outros....
* Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha uma empatia e uma relação direta com Bush, notada até pela imprensa americana. E agora já tem a empatia do Obama.
* Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador lá, nos states.
*Lula, que não entende de geografia pois nunca viu um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.
*Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.
*Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado dentro e fora do Brasil.
*Lula que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo já é cotado pelos Palestinos para dialogar com Israel.
Quarta-feira, 22 de abril de 2009. Pedro R. Lima, professor
Imprensa alemã ressalta importância universal de Augusto Boal e o compara a Brecht e Tabori
Dramaturgo brasileiro recentemente falecido é comparado a grandes teatrólogos como o alemão Bertolt Brecht e o húngaro George Tabori
A morte do criador do Teatro do Oprimido, Augusto Boal, no último dia 2 de maio, aos 78 anos, foi destacada na imprensa alemã na forma de um renovado reconhecimento pela obra de um artista que esteve à frente de seu tempo.
Os maiores jornais do país foram pegos de surpresa pelo fato, mas aqueles que se pronunciaram foram categóricos ao enfatizar o caráter democrático e revolucionário das ideias plantadas pelo autor teatral carioca, que passou parte significativa da vida no exterior. Isso contribuiu decididamente para que Boal se tornasse a principal referência do teatro brasileiro no mundo.
Admirado por parcela da esquerda alemã e por uma legião de atores e diretores teatrais provenientes da cena alternativa de Berlim, Munique e outro centros culturais europeus - como Paris, Viena e Londres -, Boal tinha na Alemanha escala certa para suas investidas teatrais nos campos da emancipação política, da educação e até da psicoterapia.
Brilhantismo intelectual e carisma Oliver Scheiber, do semanário Die Zeit, que circula principalmente no meio acadêmico e intelectual, lembrou a última vez em que Boal esteve em Viena, na Áustria, em abril de 2008.
Na ocasião, o dramaturgo brasileiro ministrou um workshop para 400 juristas vienenses, explanando como o Teatro do Oprimido poderia enriquecer o trabalho da Justiça. "O carismático pedagogo teatral brasileiro teve diante de mais de 400 espectadores uma performance inesquecível no Palácio da Justiça, um lugar pouco usual para o encontro", escreveu.
Fascinado por Boal, Scheiber descreveu-o como artista, político e pedagogo delicado e atento. "A divulgação de seus métodos teatrais e modelos para processos de modificação política da sociedade o colocam à altura de Brecht, Paulo Freire e Tabori", comparou.
O diário Frankfurter Rundschau destacou a importância de Boal na comunidade internacional. "Em março último, a Unesco nominou Boal, que sofria de leucemia, embaixador mundial do teatro. Na teoria e na prática do Teatro do Oprimido, os espectadores se tornam protagonistas. Eles tomam a iniciativa do que acontece no palco e trabalham para sua própria libertação. Seus métodos, praticados por seguidores no mundo inteiro, são aplicados também na pedagogia e no trabalho social".
Fritz Letsch, um dos principais responsáveis pela divulgação das ideias de Augusto Boal na Alemanha, e que escreveu com Simone Odierna o livro Teatro faz política. O Teatro legislativo segundo Augusto Boal - Um Livro Oficina, foi um dos que defenderam e propagaram a candidatura do brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz de 2008.
"Pela sua obra, que vem se aprimorando desde o começo de seu exílio em 1971 até os dias de hoje, Boal merece com certeza esse prêmio", escreveu Letsch em seu blog pessoal no ano de 2007. "Boal é um dos mais significativos homens de teatro deste século."
A emissora de rádio Deutschlandradio abordou o êxito dos livros do dramaturgo na Alemanha: "Seu livro Teatro do Oprimido é um sucesso mundial. Foi traduzido em 25 idiomas e só na Alemanha cerca de 50 mil exemplares foram vendidos desde a primeira tiragem."
A obra na Alemanha Em 1997, durante uma de suas passagens pela Alemanha, Boal não escondia sua satisfação pela boa acolhida de seus métodos teatrais no país de Brecht: "Aqui na Alemanha já existem seis livros publicados por outras pessoas sobre o Teatro do Oprimido, como Teatro do Oprimido na Escola, O Teatro do Oprimido e o Psicodrama e o Teatro do Oprimido e os Professores. Isso mostra que a dimensão é enorme", declarou ao jornal Euro-Brasil Press, sediado em Londres.
Indagado sobre qual importância seu teatro teria num mundo transtornado ideologicamente, Boal soltou mais uma de suas originais observações: "Meu teatro é um processo extremamente democrático, em que as pessoas podem expressar os seus desejos. Aí eu acho uma condição do momento, em que o mercado está provocando nas pessoas o que eu chamo de 'a prótese do desejo'. Ele está tirando aquilo que é o nosso desejo autêntico e fazendo com que a gente suponha que deseja aquilo que eles querem vender".
As comparações com Bertolt Brecht Era comum Boal se deparar com afirmações de que sua obra guardava parentesco com a do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. O brasileiro não negava a influência, mas não o considerava a maior inspiração teatral. Seu coração e seu intelecto pendiam mais para o russo Konstantin Stanislawski e para o inglês William Shakespeare.
Antes de partir para o exílio, no começo dos anos 1970, a última peça que Boal montara no Brasil havia sido A resistível Ascensão de Arturo Ui, de Brecht. Já O Círculo de Giz Caucasiano, também escrita pelo autor alemão, chegou a ter uma pré-estréia nos palcos brasileiros, mas Boal e seu grupo não gostaram do resultado e abriram mão de seguir com ela. "É evidente que Brecht me influenciou, mas no sentido que muitos outros me influenciaram. Eu não sou a decorrência de Brecht", afirmou o dramaturgo brasileiro.
Gilmar Mendes minimiza críticas e se diz indiferente a protestos MÁRCIO FALCÃO da Folha Online, em Brasília O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, se mostrou indiferente à manifestação que está sendo preparada para esta quarta-feira em várias capitais do país pedindo que ele saia às ruas e deixe a Suprema Corte. Mendes minimizou as críticas e disse que os protestos fazem parte do processo democrático. Mendes afirmou que não se incomoda com tais comentários. “Não me incomoda de nenhuma maneira. A gente se qualifica na sociedade pelos amigos que se tem e inimigos que se cria”, disse. O presidente do STF afirmou que foi a Corte que regulamentou e liberou a Praça dos Três Poderes para livres manifestações. “Eu vejo com grande naturalidade qualquer manifestação. Foi o STF, numa decisão da qual eu participei, que afirmou que era livre o protesto na Praça dos Três Poderes.” Um grupo de manifestantes promete reunir na noite de hoje 10 mil pessoas na Praça dos Três Poderes em protesto a postura de Mendes à frente do STF, chamado de “Gilmar saia às ruas e não volte ao STF”. Eles afirmam que vão acender 10 mil velas na porta do STF e ficar em vigília. A segurança do STF já reforçou o monitoramento do local.
Retirado do Conversa Afiada (www.paulohenriqueamorim.com.br)
Gilmar Dantas disse que os que falam mal dele n internet não enchem uma kombi. Na época de Collor, ele, Gilmar Dantas, disse que aquela manifestação não daria em nada.
(*)Gilmar Mendes, aqui chamado de Gilmar Dantas, como disse Ricardo Noblat
Canalhas de todo o mundo não fiquem alegres. Boal está vivo! Vocês que torturaram o seu corpo, que infamaram seu trabalho, jamais venceram ou vencerão. Podem causar danos, adiar projetos, mas não conseguirão impedir que exista espaço para gente talentosa e com forte postura ética. Pobres de vocês, que jamais serão conhecidos pela honestidade e pela solidariedade com os demais membros da espécie humana.
É verdade que ele se foi, que não mais o veremos no plano físico, entretanto, ele jamais morrerá no coração de todos os oprimidos da face da Terra. Os seus 78 anos bem vividos foram suficientes para ele dizer a que veio e deixar um legado imortal de um brasileiro, carioca, suburbano, revolucionário e doce como goiabada.
Vocês que nunca o compreenderam e nem fizeram questão de melhor conhecê-lo, não sabem o que perderam. Pessoas como ele não existem em cada esquina. Simples, profundo e companheiro de todos que possuem o espírito livre e a consciência no lugar. Boal jamais foi arrogante como vocês. Nunca disse que sabia mais do que ninguém. Não precisava de marketing pessoal e nem de tietagem comercial.
Sua presença bastava e se impunha por si só, em tudo o que fazia no Brasil e no exterior. Deixou uma legião de admiradores e formou gerações de pessoas interessadas em contribuir para a construção de sociedades mais justas. Sua fama correu mundo, bem como o respeito pelo seu trabalho. Nada pedia pelo que fazia. Recebeu até poucas homenagens, considerando a grandeza de sua intervenção no mundo da vida.
Certamente, depois de morto, será ainda mais reconhecido, na nossa trágica tradição de valorizar mais os mortos do que os vivos. Não importa. Ele era o próprio teatro, e ele continuará a usar suas peças e, sobretudo, seu método e seus infindáveis ensinamentos. Estes retiravam material da alegria de estar vivo e de olhos abertos. É verdade, Boal detestava a mediocridade, o servilismo e o silêncio dos que fingem que não vêem o que se passa. Era um homem direto e franco, sem jamais perder a ternura dos bons.
Homenagem ao dramaturgo Augusto Boal, criador do teatro do oprimido.
"Caros Amigos,
quando fui vereador pelo Rio de Janeiro, sempre me manifestei contra o voto secreto e, mesmo repreendido pelo presidente da Câmara, sempre mostrei meu voto ao plenário e às galerias, cometendo, assim, uma ilegalidade, eticamente legítima: essa Lei, à qual sempre fui desobediente, ordenava que escondêssemos o voto e a cara. Eu não podia fazê-lo: tenho princípios, meios e fins - sou um cidadão.
Neste domingo, mais uma vez, quero mostrar a cara e o voto. Mais do que isso: quero mostrar as razões do voto.
Sou contra toda forma de desonestidade, em política e fora dela. Sou contra essa estúpida compra do dossier, - escândalo recente! - mas sou também contrário a que esse dossier, tão valioso (um milhão e setecentos mil reais), não seja aberto à cidadania e permaneça na sombra. Se, com justiça, os compradores são condenados, por que não abrir o dossier? Resposta simples: no Brasil, a grande imprensa está nas mãos daqueles que controlavam a opinião pública e, hoje, não o fazem mais: os votos que Lula tem prometidos são votos de quem sabe o que está sendo feito pelo presidente e escondido pelos jornais - gente que a mídia já não pode enganar.
Um eminente advogado de Grandes Causas me explicou, um dia, a diferença entre o julgamento jurídico e o julgamento político. Naquele, os acusados não podem ser condenados sem provas cabais; neste, basta a convicção dos acusadores, seus adversários políticos. Sou visceralmente contra a compra de votos, contra mensalões, propinas e assemelhados, mas não posso aceitar que deputados, sem provas, sejam cassados em julgamentos políticos, enquanto que outros, provas sobrantes, são absolvidos.
Sou contra, visceralmente contra, qualquer acordo com pessoas ou partidos desonestos: por isso, não pude continuar fazendo política partidária porque detesto viver com um pregador de roupa tapando o meu nariz.
Sou irredutivelmente contra a mentira, contra as duas formas de mentira que existem: a mais comum, a que mente, deslavada; a mais infame, a que esconde a verdade.
Voto em Lula porque a verdade, dita pela metade, mente; quando inteira, mostra-se nua.
Nós somos o que fazemos, não o que, de nós,dizem nossos nimigos. O antigo disse que o atual presidente é o diabo. Ao dizê-lo, Confessa-se diabo ele próprio, porque nada é mais diabólico do que diabolizar os adversários. Vergonha! Se o Inferno, em algum lugar, existe, já estará de boca aberta à espera de FH quando à casa torne.
Caras amigas e caros amigos: se quiserem a minha opinião, votem em Lula. Em qualquer caso, votem em quem as vossas consciências mandarem, pois assim é a democracia; mas, antes, vejam o que Lula fez em quatro anos de Mandato, comparados aos oito do presidente precedente.
Augusto Boal"
Texto escrito por Augusto Boal em relação à eleição de 2006..
Durante a semana prometo mais textos do grande Augusto Boal.
O STF derrubou nessa quinta feira a Lei de Imprensa de 1967 quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. As punições para jornalistas mudaram agora eles respondem pelo Código Civil e Penal e não em uma lei específica. Isso é uma vitória dos jornalista, vitória da democracia. 7 dos 11 ministros votaram pela mudança, somente o inistro Marco Aurélio Mello votou contrário á proposta (oh, como se a gente pudesse esperar mais desse homem).
Parabéns Gilmar Mendes! Parabéns Joaquim Barbosa! Parabéns Carmem Silva! Parabéns Ellen Gracie! Parabéns Carlos Alberto Direito! Parabéns Ricardo Lewandowski! Parabéns Celso de Mello!
"O ponto de partida e de chegada da lei é garrotear a liberdade de imprensa"